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SP-Arte 2026 | Estande G09 | 8 a 12 de Abril de 2026

 Pavilhão da Bienal, Av. Pedro Álvares Cabral, s/n - Portão 3 - Parque Ibirapuera, São Paulo - SP

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Galeria Estação – SP-Arte 2026

Para a SP-Arte 2026, a Galeria Estação apresenta um estande concebido como um território de encontros — um espaço onde diferentes tempos da arte brasileira se cruzam e se reconhecem. Reunimos onze artistas cujas trajetórias, embora diversas em origem, geração e linguagem, compartilham uma profunda relação com a memória, o imaginário e a reinvenção das formas.

A linha temática do projeto parte da ideia de paisagem expandida — entendida não apenas como representação do espaço natural ou urbano, mas como construção simbólica de mundos. A curadoria é da Galeria Estação e propõe um diálogo entre mestres históricos da arte popular brasileira e artistas contemporâneos que tensionam e atualizam esse legado.

De um lado, a força escultórica de Artur Pereira (1920-2003), representado por uma obra em madeira de composição vertical, onde animais se organizam em movimentos circulares e ascendentes. Talhada em cedro, a peça revela seu domínio técnico ao articular estrutura arquitetônica e organicidade, criando uma narrativa visual dinâmica em que fauna e ritmo construtivo se entrelaçam. A obra sintetiza sua capacidade de transformar a madeira em campo imaginativo e estrutural.

As arquiteturas geométricas e cromaticamente vibrantes de Aurelino dos Santos (1942–2026) — que faleceu em janeiro deste ano — reafirmam sua singularidade na pintura brasileira. Iniciou sua produção ainda na década de 1960, com uma trajetória artística marcada pela influência do escultor baiano Agnaldo Manoel dos Santos (1926–1962) e pelo incentivo de Lina Bo Bardi (1914-1992), então diretora do MAM da Bahia. Conviveu com nomes fundamentais da cena artística da época, como Mário Cravo Neto, a quem chegou a auxiliar em seu ateliê. Suas paisagens estruturadas organizam leituras idealizadas da cidade de Salvador – BA, articulando perspectivas simultâneas e rigor compositivo. Aurelino integra importantes acervos institucionais, como o Instituto Inhotim (Brumadinho – MG) e o Museu Afro Brasil Emanoel Araújo (São Paulo – SP), entre outros.

As narrativas pictóricas de Cardosinho (1861-1947) e Júlio Martins da Silva (1893-1978) apresentam dois modos distintos de construir memória visual. Cardosinho, com obras presentes no MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova York e na Tate Modern, em Londres, desenvolve composições que articulam erudição, imaginação e liberdade formal. Júlio Martins da Silva, cuja obra integra acervos como a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, constrói verdadeiras crônicas visuais do cotidiano urbano com sensibilidade histórica.

A densidade simbólica das esculturas de Chico Tabibuia (1936-2007) estará representada por obra de grande potência formal e conceitual — exemplo disso é sua participação na exposição Histórias da Ecologia (5 de setembro de 2025 a 1 de fevereiro de 2026), no Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo – SP, reafirmando a atualidade crítica e institucional de sua produção.

De Izabel Mendes da Cunha (1924-2014), apresentaremos uma escultura em barro de figura feminina em pé, de presença serena e expressão concentrada. A artista confere às suas personagens uma dignidade silenciosa e uma construção volumétrica equilibrada, onde o corpo se estrutura em planos simples e contínuos. A delicadeza contrapõe-se à solidez da forma, revelando a força expressiva que Izabel desenvolveu no Vale do Jequitinhonha. Sua obra integra o acervo da Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, em Paris, e atualmente está em cartaz na exposição Exposition Générale, na própria Fondation Cartier, até agosto de 2026.

A potência essencial das formas talhadas por Nino - João Cosmo Feliz (1920-2002) reafirma a autonomia inventiva do artista. Seu processo utilizava poucas ferramentas e articulava figuras tridimensionais, elementos em baixo-relevo e pintura, trabalhando sobretudo com imburana e aroeira. Seu universo é povoado por homens, animais e cenas do cotidiano nordestino, organizados em composições que exigem do espectador um movimento ao redor da peça, instaurando narrativas abertas e múltiplas leituras. Reconhecido como mestre ainda em vida, participou de exposições fundamentais como O essencial em estado bruto (Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2001) e integra importantes acervos, como a Fondation Cartier (Paris), entre outros.

Em diálogo com esse conjunto, apresentamos no primeiro momento três artistas contemporâneos cujas pesquisas ampliam essa noção de paisagem e imaginário:

Rafael Pereira (1986) está atualmente em cartaz na Galeria Estação com a exposição Rafael Pereira: A cabeça de Zumbi, com texto crítico de Renato Menezes. O artista apresenta na feira uma série de desenhos em giz bastão oleoso sobre papel, dedicados a retratar artistas históricos fundamentais da arte brasileira, como Mestre Guarany, Agnaldo Manoel dos Santos, Mestre Didi, Izabel Mendes da Cunha, Maria Auxiliadora Silva, Júlio Martins da Silva, Chico Tabibuia, Artur Pereira, Madalena Santos Reinbolt e Aurelino dos Santos. Os desenhos foram realizados a partir de fotografias ilustradas nas publicações Teimosia da Imaginação – Dez Artistas Brasileiros e A mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica, transformando imagens documentais em composições de forte presença cromática. Em 2025, o artista participou da residência artística Sertão Negro, ampliando sua pesquisa sobre memória e história da arte brasileira.

Santídio Pereira (1996) será apresentado por meio de obras em xilogravura única, além de guache sobre papel e objeto em madeira. As peças selecionadas — marcadas por formas botânicas sintéticas, recortes precisos e cores intensas — evidenciam sua investigação sobre biomas e a reinvenção da xilogravura como objeto-obra. No final de 2025, participou de uma residência artística em Angola com a FAS – Forward Art Stories, e em maio deste ano participará de residência artística no Atacama, Chile, na Awasi’s Art Immersion, ampliando o alcance internacional de sua pesquisa.

Alexandre Wagner (1986), por sua vez, apresenta pinturas que de alguma forma tencionam a relação entre possibilidades de representação e abstração. Através de uma pintura liquefeita, paisagens, sóis e elementos do mundo se dissolvem em pontos de cor e pinceladas rápidas.

 

Em um segundo momento apresentaremos obras de outros dois artistas contemporâneos. 

Higo José (1994) desenvolve uma prática que articula bordado, escultura e instalação a partir de referências às culturas materiais ancestrais. Inspirado pela arqueologia e por vestígios visuais de tempos remotos, sua obra reelabora figuras e cenas em superfícies têxteis e formas escultóricas que evocam estruturas megalíticas. Seu trabalho cria um diálogo entre passado e presente, onde ancestralidade e linguagem contemporânea se encontram.

Andre Barion desenvolve uma prática artística estruturada a partir da relação entre desenho, costura e construção têxtil, articulando procedimentos que transitam entre o universo doméstico e a elaboração formal da imagem. Nascido em São Paulo, iniciou sua trajetória por meio de uma investigação contínua do gesto manual, aproximando práticas cotidianas de um vocabulário visual rigorosamente construído. Sua formação se dá no entrecruzamento entre experimentação e pesquisa, consolidando uma linguagem que tensiona tradição e contemporaneidade.

O estande será organizado como um percurso sensorial, no qual madeira, barro, tinta, papel e matriz dialogam por aproximações formais — a verticalidade das esculturas, a construção cromática das pinturas e desenhos, a presença recorrente da natureza e da figura humana. Ao invés de segmentar por períodos ou categorias, propomos uma convivência direta entre obras que, embora distantes no tempo, compartilham questões estruturais: a relação com o fazer manual, a autonomia do gesto e a construção de mundos próprios.

Entre os destaques, apresentaremos esculturas de forte relevância institucional, pinturas e obras presentes em importantes acervos museológicos internacionais e nacionais, além de trabalhos contemporâneos que reafirmam a vitalidade da produção brasileira.

Na SP-Arte 2026, nosso espaço será um convite à escuta e à contemplação — um lugar onde tradição e contemporaneidade se reconhecem como parte de uma mesma história em movimento.

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Artistas | Artists

Artur Pereira

Aurelino dos Santos

Chico Tabibuia
(Francisco Moraes da Silva)

Cardosinho (José Bernardo Cardoso Júnior)

Higo José

Júlio Martins da Silva

Izabel Mendes da Cunha

 Nino - João Cosmo Feliz

Rafael Pereira

Santídio Pereira

Alexandre Wagner

Andre Barion

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