Visitação até 28 de novembro de 2026
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Galeria Estação
R. Ferreira de Araújo, 625 - Pinheiros, São Paulo - SP
Artista

Toda minúcia de Andre Barion
Amanda Tavares
Uma pequena diferença ao lado de outra pequena diferença.
Talvez seja por isso que eu demore.
Não há detalhe nas bordas da estrutura.
O detalhe constrói estrutura.
*
Mais do que operar entre linguagens, Andre Barion trabalha justo no espaço em que suas
fronteiras deixam de ser estáveis. Não é de hoje que pintura, desenho, escultura, costura
ou instalação já não constituem territórios autônomos. Uma obra não se define
prioritariamente pelo meio que emprega, e sim pelas relações que é capaz de instaurar
entre materiais, procedimentos, espaço, corpo e percepção. No caso de Barion, uma
linguagem acontece dentro da outra, e o que se produz não é exatamente uma fusão, mas
uma zona de trânsito na qual os procedimentos permanecem reconhecíveis ao mesmo
tempo em que, juntos, produzem efeitos inesperados. Nesse sentido, o procedimento que
constrói os trabalhos é também aquele que desorganiza nossa tentativa de classificá-los.
*
Quem corta uma linha encontra um corpo.
*
A costura pode operar como desenho, a trama como estrutura visual e o corte como
recurso espacial. Até parece flor, até parece borboleta; mas o trabalho do artista não parte
da representação de um mundo já constituído. Natureza e paisagem não são propriamente
um repertório iconográfico a ser representado. Tema e matéria não são, na obra de Barion,
somente meios ou veículos de uma ideia; eles participam da elaboração da própria ideia.
Constituem a forma de o artista reconhecer o mundo naquilo que traz à superfície pela
matéria. Trata-se de permitir que cada elemento permaneça suficientemente próximo de
suas próprias possibilidades e limites e de manejar a escuta atenta das condições que
reivindicam.
Articulados entre si, não recompõem uma imagem previamente vista. Constituem corpos.
Há um movimento de conformação: formas, cores, superfícies e volumes são organizados
até que corpos ganhem presença na superfície. Podem parecer borboletas, flores, mãos,
estruturas geométricas, uma determinada combinação cromática ou mesmo a própria
superfície do tecido. Interessa ao artista criar as condições para que esses corpos entrem
em relação e, nesse encontro, produzam uma experiência de mundo. Nesse sentido,
Barion não procura reproduzir uma experiência já dada, e sim construir uma circunstância
na qual ela possa acontecer. O que se apresenta é, assim, menos uma imagem acabada do
que um corpo em situação: próximo o suficiente para convocar a experiência e distante o
suficiente para impedir que ela se transforme em identificação.
*
Não se seduz a curva pelo caminho mais curto.
*
Uma cor ao lado de outra; uma superfície sobre outra; uma linha que não coincide
exatamente com a anterior; uma pequena alteração de escala ou de direção. Uma diferença
quase imperceptível pode alterar a relação entre as partes e fazer com que aquilo que
parecia resolvido volte a se abrir aos sentidos. Algumas formas parecem continuar para
além de seus próprios limites, voando de obra em obra, construindo, entre diferentes
corpos, uma paisagem que não pertence inteiramente a nenhum deles e, por isso mesmo,
nos captura.
*
A minúcia das sucessivas diferenças.
*


Tecido e pigmento no trabalho de Andre Barion: tatear uma prática aberta
A partir das materialidades do tecido, da linha e dos pigmentos, Andre Barion aciona modos de operação entre cortar, costurar e pintar. Ao conjugar esses verbos de ação, o artista inscreve outras possibilidades no campo das práticas artísticas, investigando camadas pictóricas entre o tecido, a pintura e as linhas de costura. São construções que operam uma forma de pensar próxima ao campo da pintura, mas que também convocam questões da escultura, em suas relações entre plano e volume, e cujas experimentações conferem, camada a camada, uma textura que expande a ideia de um plano pictórico. Podemos inserir o trabalho de Barion no campo das investigações têxteis, uma prática que está situada dentro de um campo que usa a materialidade do tecido como possibilidade de construção de linguagem na arte contemporânea. Seu trabalho traz em sua construção uma reverberação da artista Leda Catunda. Sua experiência em família e no ateliê da artista enriqueceu tanto seus modos de operação, quanto o discurso sobre o próprio trabalho. Sobretudo no contexto das práticas no Brasil, que, desde Arthur Bispo do Rosário, passando por Leonilson, até Brígida Baltar, tomam o fio como linguagem, inscrevendo nele um sentido material e poético. É nesse modo de articular essas referências e materialidades que Barion constrói um processo cujas imagens se abrem para regimes estéticos situados entre o visível e o invisível.
Entretanto, é fundamental traçarmos as implicações dessas práticas historicamente, como as experiências desenvolvidas na escola da Bauhaus, na Alemanha, e da Vkhutemas, na Rússia, cuja ambição era romper com a separação entre as ditas belas artes (pintura e escultura) e as artes aplicadas (artesanato e ofícios), buscando uma aproximação pelos modos de fazer. No entanto, isso não se traduzia na realidade. Apesar de serem criadas em um modo de democratização de acesso e de igualdade entre as técnicas, na prática isso não ocorria, pois ainda assim havia uma distinção de gênero. No processo de formação da Bauhaus, havia um módulo mais geral, um curso básico, preliminar, e, em um segundo momento, os alunos se debruçavam sobre os materiais (madeira, pedra, metal, barro, vidro, cor e têxteis), realizando oficinas com uma perspectiva prática. Entre elas, as oficinas de tecelagem e cerâmica, que historicamente foram direcionadas para as alunas mulheres, revelando uma hierarquia de gênero entre as práticas da própria escola. Artistas como Gunta Stölzl, Anni Albers e Marli Ehrman frequentaram essas oficinas e fizeram do ateliê de tecelagem um lugar experimental que possibilitasse construções estéticas a partir de suas investigações das formas e das cores. Essa experiência se tornou um ponto de inflexão na arte têxtil, gerando um tensionamento entre o contexto da prática artística e o das artes aplicadas. Sobretudo, no modo como essas artistas tornaram o tear uma ferramenta de construção de linguagem no campo da arte, a partir das experimentações de linhas e tramas. Juntas, ampliaram as possibilidades do fio, para além de uma construção funcional, expandindo suas possibilidades formais. Já na Vkhutemas, as artistas Varvara Stepanova e Liubov Popova exploraram composições geométricas aplicadas a tecidos estampados, desdobrando suas pesquisas formais e conceituais para o campo do vestuário.
Faz-se necessário também, dentro do que se convencionou chamar arte têxtil, distinguir as variadas técnicas e procedimentos que se inscrevem enquanto investigação no campo da arte, entre as técnicas da tapeçaria, bordado, crochê e a própria costura. Variados procedimentos que já demonstram essa espécie de não lugar da arte têxtil na história da arte. Apresentando diferenças que são, antes de tudo, de ordem técnica, relacionadas a uma especificidade de construção, mas que, para alguns artistas contemporâneos, também se estabelecem de modo conceitual. Como para a artista Rosana Paulino, que define uma diferença fundamental em seu modo de operar, no qual seu processo de costura se inscreve como sutura e não como bordado. Para a artista, operar por meio da sutura constitui um procedimento ao mesmo tempo doméstico e cirúrgico, uma escolha que reflete uma forma de lidar com o trauma, na qual a sutura faz a ligação entre as imagens da violência colonial e o trauma da escravidão no Brasil. Dessa forma, o tecido e a sutura tornam-se elementos que acionam discursivamente as escolhas da artista. De todo modo, poderíamos pensar sua produção, assim como a de Sônia Gomes, Ernesto Neto, Brígida Baltar, e tantos outros artistas contemporâneos, como arte têxtil?
Voltando às especificidades do meio, no caso da tapeçaria, sua origem e popularização ocorrem a partir da França, com as manufaturas Gobelins, a manufatura de Bruxelas (séc. XV a XVIII), entre outras, que produziram tapeçarias com representações de cenas da burguesia, cenas do cotidiano, assim como de paisagens locais. Já em escolas como a Bauhaus e a Vkhutemas, a tapeçaria, como citado anteriormente, incorporou uma linguagem construtiva como possibilidade de elaboração, reverberando investigações a partir de formas geométricas. No Brasil, como apontado no livro de Walter Zanini História geral da arte no Brasil, a tapeçaria foi impulsionada pelo trabalho de Jean Lurçat (1892-1966), responsável pela inserção da tapeçaria no contexto da arte.
As pesquisas recentes de Patricia Corrêa descrevem esse movimento em torno do têxtil no Brasil, a partir da exposição de Lurçat no MAM Rio em 1952 e de sua visita em 1954, quando conhece o trabalho de Genaro de Carvalho (Salvador-BA, 1926-1971). O artista também foi responsável pela criação da Bienal Internacional de Tapeçaria de Lausanne, na Suíça, exposição importante para o reconhecimento dessa prática. Já outros dois artistas, importantes para esse contexto, Norberto Nicola (São Paulo-SP, 1930-2007) e Jacques Douchez (Macon-França, 1921-São Paulo-SP, 2012), fundaram em 1959 um ateliê especializado em tapeçaria em São Paulo. Com a participação da artista Magdalena Abakanowicz (Polônia, 1930-2017) na VIII Bienal de São Paulo, em 1965, há um tensionamento das distinções entre arte e arte aplicada, como investigado por Caroline Bernardo em sua dissertação de mestrado. A participação de Magdalena Abakanowicz na Bienal fez com que os artistas Norberto Nicola e Jacques Douchez se aproximassem de uma investigação a partir da tapeçaria, experimentando um caráter mais escultórico, levando Douchez, em 1967, a visitar o ateliê da artista na Polônia. Outras exposições foram realizadas no MAM do Rio, assim como em São Paulo, entre elas a 1ª Mostra Brasileira de Tapeçaria, organizada no Museu de Arte Brasileira (MAB) da Faap, em 1974, e a Trienal de Tapeçaria de São Paulo, organizada pelo Museu de Arte Moderna – sua I edição foi em 1976, a II, em 1979 e a III, em 1982. Essas exposições deram continuidade e maior visibilidade a um movimento em torno das linguagens do campo têxtil que já estava em curso no Brasil desde a década de 1950.
Nesse breve recorte histórico, percebemos o quanto a ideia de arte têxtil pode ser complexificada, sendo fundamental tensioná-la enquanto categoria, pois, ao nomeá-la dessa forma, a diferenciamos das demais produções do campo da arte e reforçamos a hierarquização entre as produções artísticas, principalmente entre as belas artes e as artes menores. Identificar produções que partem de materialidades como tecidos e linhas como arte têxtil, por si só, já estabelece uma separação, criando uma diferença em relação às demais técnicas do campo da arte. No entanto, podemos apontar essa nomeação como uma estratégia de existência e resistência, em que nomear é uma forma de afirmação: nomear para existir enquanto técnica e prática.
Olhar para o modo como os museus catalogam essas produções pode nos ajudar a compreender como esses trabalhos são designados em acervos de instituições nacionais e internacionais. Como no acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, onde não há uma categoria de Arte Têxtil, tampouco de obra têxtil; é somente a partir de buscas como “tecido” que são encontradas obras que possuem, em sua materialidade, o têxtil, sem se designar a qual categoria a obra pertence. Já no acervo da Pinacoteca, também não há a categoria de obra têxtil, mas encontramos a categoria de tapeçaria; entretanto, um trabalho retangular em tecido costurado foi designado como pintura, já um trabalho com botões, corda, costura, tricô e aplicações sobre tecidos foi designado como escultura. No acervo do Masp, encontramos as designações tecido e tapeçaria. Em tecido, estão tanto trabalhos contemporâneos como trabalhos do século XIX, e, do mesmo modo, em tapeçaria, encontramos tapetes gobelins, as obras de Madalena Santo Reinbolt e trabalhos contemporâneos, como o do artista Randolpho Lamonier. No arquivo do MoMA, é possível buscar por obras têxteis; estas compreendem tanto as tapeçarias como obras contemporâneas que utilizam o tecido como matéria construtiva, sejam elas em esculturas, sejam em instalações. Observa-se, ainda, que o trabalho de Otobong Nkanga é designado como pintura e escultura; já as instalações, como as de Sheila Hicks, são designadas ao departamento de Arquitetura e Design, o que demonstra que são necessárias revisões nos modos como as instituições recebem trabalhos têxteis. Assim como no MoMA, o Pompidou também possui a categoria de obras têxteis, englobando tapeçarias, trabalhos bidimensionais e tridimensionais. Já no acervo do Guggenheim, não há a categoria de obras têxteis, e os trabalhos que possuem o tecido em sua construção são designados como pintura. Esses dados apontam, claro, para a falta de obras têxteis nos acervos institucionais e uma ausência da arte têxtil enquanto categoria. Resta-nos a pergunta se a categoria de arte têxtil iria mais limitar essas produções do que complexificar sua relação com a arte no campo ampliado. Ou seja, a criação dessa categoria resolveria a invisibilidade dessas práticas ou produziria um novo confinamento a partir de uma classificação?
Essa breve contextualização institucional, neste recorte da arte têxtil, faz-se necessária para situarmos a prática de André Barion em um arco mais amplo das práticas artísticas a partir do fio. Nesse sentido, observa-se que estabelecer as diferenças dos modos de construção no campo da arte têxtil é fundamental para entender os processos aos quais Barion se dedica. Há neles uma diferença no modo de lidar com o tecido em sua materialidade; Barion o usa como processo de uma investigação no campo da pintura. Seu gesto de apropriação de tecidos, deslocados para o plano, passa por uma investigação a partir do desenho. É justamente por meio do desenho que suas formas são construídas, com experimentações gráficas nas quais o artista constrói as formas que vão habitar suas pinturas. Um processo muito próximo ao que o artista Henri Matisse desenvolveu ao fim da sua vida, em que pintava com guache papéis e os recortava para construir suas colagens, usando a parede como a própria base dos seus recortes, ou seja, da sua construção pictórica. A tesoura, desse modo, funcionava como uma ferramenta de desenho, o artista desenhava com a tesoura, em um processo muito próximo ao de Barion, só que, no caso deste, com os tecidos.
Apesar de os desenhos de Barion começarem no papel e depois passarem para o tecido, é justamente com os cortes que eles ganham corpo e incorporam formas mais livres e orgânicas. Essa densidade articula um universo próximo ao campo da fabulação. É sobre esses tecidos que o artista intervém, sobrepondo camadas de pintura, articulando paisagens e vegetações que inscrevem outras possibilidades para o campo da arte no contemporâneo. Há um pensamento de cor nessas sobreposições e nessas pinturas. Seu trabalho se situa em uma investigação a partir da pintura, mas que também se inscreve no campo da escultura, pois suas obras ganham espessura e volume, relacionando-se com o espaço da exposição. Nesse sentido, Deleuze aponta, em seu livro Sobre a pintura, que “o quadro só diz respeito ao espaço porque, primeiramente, encarna uma síntese do tempo” (Deleuze, 2025, p. 40). Podemos perceber nos trabalhos de Barion essa articulação entre tempo e espaço, um processo que tensiona a superfície e o próprio suporte da pintura. Suas investigações estão muito próximas das experimentações do movimento de artistas franceses Support Surfaces (composto pelos artistas Claude Viallat, Daniel Dezeuze, Louis Cane, Patrick Saytour, Noël Dolla, André-Pierre Arnal e Marc), que se debruçaram sobre as superfícies da pintura e suas possibilidades de articulação espacial. Questões que também podem ser percebidas nas investigações de Barion, em trabalhos como Ensaio para uma noite em claro (Catching Butterflies), de 2023. Suas construções também se aproximam de processos narrativos de uma percepção que se inscreve como presença. Como o livro de tecido da artista Louise Bourgeois Ode ao esquecimento, de 2004, em que as páginas são costuradas e sobrepostas com diversos tipos de tecido, em variadas cores, articulando composições formais e poéticas. Nessas aproximações entre Barion, Support Surfaces e Louise Bourgeois, está uma forma de lidar com a superfície e suas camadas pictóricas como construções espaciais de sobreposição de discursos. Nesse sentido, no trabalho de Barion, os tecidos dão a textura e as linhas costuram o desenho, são uma construção de linguagem que instaura uma poética singular.
Essa construção também se torna visível na relação entre pintura e costura nos trabalhos de Barion, ao acionar um processo complexo de veladuras que proporcionam superfícies translúcidas e fazem perceber, nas camadas de cor, a sutileza da luz. Ao pintar sobre a própria cor, o artista estrutura um modo de relação óptico; nos seus trabalhos não encontramos somente cores, mas “regimes de cores” (Deleuze, 2025, p. 313). O modo como Barion estrutura a gradação da cor, os tons, a luz e as sombras, evidencia um processo que é capaz de traduzir uma atmosfera. O tratamento dado à cor e às formas provocadas por Barion estabelece um modo singular de relação entre figura e fundo e destes com o próprio suporte, que, no seu caso, são tecidos sobrepostos e costurados. As formas articuladas pelo artista, em suas costuras, também se aproximam de formas vindas do Barroco, como as volutas do Rococó e todos os seus arabescos, que partem também de formas orgânicas e de suas aplicações nos retábulos e entalhes de arquitetura. No entanto, o que o trabalho de Barion recoloca é a complexa oposição entre o decorativo e o construtivo. Suas escolhas formais e conceituais reposicionam esse debate, refletindo sobre os processos de construção da cor, da textura e da forma. A sobreposição de tecido, a costura como desenho e suas articulações pictóricas conduzem o olhar a uma percepção ativa, que se revela no envolvimento de um tempo dilatado. Suas investigações e seus trabalhos abrem-se para um universo que amplia os sentidos e os modos de ser e estar no mundo.
Omar Porto
Curador, arquiteto e pesquisador
setembro de 2026
Referências
Deleuze, Gilles. Sobre a pintura: Aulas de março a junho de 1981. São Paulo: n-1 edições, 2025.
Zanini, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles, 1983.
Salzstein, Sônia (Org.). Matisse: imaginação, erotismo e visão decorativa. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
Guimarães, Mariana de Souza. O fio como invenção de outros possíveis: a casa, o jardim, a mulher e a obra. Tese (Doutorado em Artes Visuais) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021.
Bernardo, Caroline Miranda. Transpondo fronteiras: Magdalena Abakanowicz na VIII Bienal de São Paulo (1965). Dissertação (Mestrado em artes visuais) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2026.
Gradim, Maria Isabel de Souza. A tapeçaria no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980. Dissertação (Mestrado em Culturas e Identidades Brasileiras) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.
Corrêa, Patricia Leal Azevedo. Tramas têxteis da modernidade artística segundo o MAM-RJ (1948-1978). Anais do 42º Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte – Futuros da História da Arte: 50 anos do CBHA, Rio de Janeiro, 7-12 nov. 2022.
Corrêa, Patricia Leal Azevedo. Didáticas e políticas têxteis e o caso da tapeçaria francesa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. MODOS: Revista de História da Arte. Campinas, SP, v. 8, n. 3, p. 632-666, set. 2024. DOI: 10.20396/modos.v8i3.8676618.
Sentidos do fio. Direção: Evângelo Gasos. Roteiro: Kika Serra. Ideia original: Mariana Guimarães. Produção: Liliana Kawase. [2024]. 1 vídeo (86 min).

Sobre o artista Andre Barion
Andre Barion desenvolve uma prática artística estruturada a partir da relação entre desenho, costura, pintura e construção espacial, articulando procedimentos que transitam entre o universo doméstico e a elaboração formal da imagem. Nascido em São Paulo, iniciou sua trajetória por meio de uma investigação contínua do gesto manual, aproximando práticas cotidianas de um vocabulário visual rigorosamente construído. Sua formação se dá no entrecruzamento entre experimentação e pesquisa, consolidando uma linguagem que tensiona tradição e contemporaneidade.
Sua produção organiza-se em torno da elaboração de superfícies construídas com tecidos pintados, recortados, costurados e sobrepostos, posteriormente desdobradas em trabalhos bidimensionais e tridimensionais. Nesse processo, o artista investiga relações entre ornamentação, estrutura e imagem, desenvolvendo composições marcadas por padrões intrincados, transparências e jogos de sombra. A repetição de elementos figurativos — como folhas, flores e pássaros — associada a contornos abstratos cria estruturas visuais que aproximam o artifício humano de formas orgânicas presentes na natureza. Esses motivos são reorganizados como glifos, evocando revoadas, jardins e formações vegetais, ao mesmo tempo em que tensionam o caráter decorativo do ornamento e deslocam sua função tradicional para o campo da construção simbólica e espacial.
A costura opera em sua pesquisa como medida de tempo físico e construção material da imagem, enquanto a pintura organiza zonas de ocultamento e revelação. Em seus trabalhos tridimensionais, as superfícies adquirem presença escultórica, enquanto nas obras bidimensionais o artista explora relações entre textura, ritmo, profundidade visual e sobreposição de camadas. A combinação entre desenho, composição espacial e procedimentos manuais revela uma investigação voltada à elaboração de sistemas visuais complexos, nos quais repetição, matéria e estrutura tornam-se elementos centrais de experimentação contemporânea.

"Mais do que operar entre linguagens, Andre Barion trabalha justo no espaço em que suas fronteiras deixam de ser estáveis."
Amanda Tavares
Exposição Toda minúcia
Artista: Andre Barion
Curadora: Amanda Tavares
Pesquisa: Omar Porto
Abertura: 6 de outubro de 2026, às 18h
Período: de 6 de outubro a 28 de novembro de 2026
Espaços expositivos: 2º andar e mezanino
Diretores
Vilma Eid
Roberto Eid Philipp
Historiador da Arte
José Augusto Ribeiro
Curadora
Amanda Tavares
Pesquisador
Omar Porto
Diretora Comercial
Giselli Gumiero
Vendas
Alyne Shiohama
Produção
Amanda Clozel
Comunicação e Marketing
Zion Branding
Fotos
Filipe Berndt
Estúdio em Obra
Mariano Barone
Vídeos
Flora Pappalardo
Montagem
Cadu Pimentel
Iluminação e apoio de produção
Diogo Gabriel Leite Santos
Kléber José Azevedo
Marcos Vinícius dos Santos
Assessoria de imprensa
Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo
Revisão
Otacílio Nunes
Tradução
Maria Fernanda Mazzuco - Inglês
































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